Conheça algumas  LENDAS 
desta terra

Após o descobrimento oficial da costa brasileira por Cabral, em 1500, a coroa portuguesa enviou ao Brasil uma esquadra composta por três navios, para mapear e desbravar o litoral do novo continente. Os colonizadores ficaram impressionados com a beleza da Baía de Guanabara e ficariam ainda mais espantados com o que viria a seguir.

A esquadra comandada pelo navegador português Gonçalo Coelho entrou na baía da Ilha Grande no dia 6 de janeiro de 1502. Era dia de Reis e por esse motivo batizou-a Angra dos Reis. As chuvas e o clima quente e úmido do verão fizeram da passagem por Angra, um momento especial. Um dos integrantes da esquadra, Américo Vespúcio, escreveu a Portugal:

"Algumas vezes me extasiei com os odores das árvores e das flores e com os sabores dessas frutas e raízes, tanto que pensava comigo estar perto do Paraíso Terrestre. E o que direi da quantidade de pássaros, das cores das suas plumagens e cantos, quantos são e de quanta beleza? Não quero me estender nisto, pois duvido que me dêem crédito".

* Retirado do livro "A Viagem do Descobrimento" de Eduardo Bueno - Editora Objetiva

Na época, a região era habitada pelos índios goianases chefiados pelo Cacique Cunhambebe.  O núcleo inicial formou-se no local conhecido atualmente como Vila Velha, em frente a Ilha da Gipóia. 

Angra era habitada pelos silvícolas, os escravos e os exploradores deixados pelos navegadores.  As atividades locais eram voltadas para a caça, a pesca e a pequena lavoura.  Na época, a Ilha Grande, chamada pelos índios de Opauau-Guaçu, era habitada apenas por silvícolas não havendo moradores brancos.  Era um lugar rico em madeiras com pontos apropriados para a construção de embarcações.

No século dezessete, com Angra dos Reis ainda Vila e sediada na Vila Velha, eram constantes as incursões de navios piratas pelo litoral angrense.  Nesta época a principal atividade no local era a pecuária, a pesca e a  agricultura de subsistência.

  

Foram os filhos do capitão-mor da Capitania de São Vicente que fizeram o local prosperar.  Várias fazendas se formaram na região, com intensa utilização de mão de obra indígena e escrava.


Como a maioria dos povoados brasileiros, Angra teve forte influência da Igreja Católica.  Nesta região é belíssimo constatar essa influência na quantidade de conventos, igrejas, monumentos e ermidas, construídas inclusive nas ilhas, como a Ermida do Senhor do Bonfim, a Igreja de Santana e a Igrejinha da Piedade, que misturadas com a natureza intacta parecem sair diretamente do passado.

No século XVIII Angra fez parte da rota do ouro, um caminho criado e amplamente utilizado pelos exploradores do ouro das Minas Gerais.  Toda produção seguia para Portugal passando por diversas cidades brasileiras e chegando ao mar através do litoral sul-fluminense.  Esta rota também foi utilizada posteriormente para escoar a produção do café do Vale do Paraíba, nesta época Angra investia na produção de cana de açúcar.  No final do século XIX, com o declínio da produção do café e abolição da escravatura, a rota entre Angra, Vale do Paraíba e Minas perdeu a importância econômica, sendo hoje um interessante passeio ecológico nos trechos mais preservados. 
   

A Estrada de Ferro encomendada por Pedro II, que ligaria o Rio a São Paulo passando por Angra não conseguiu vencer os inúmeros obstáculos de montanhas, riachos e enseadas, e não conseguiu chegar ao Porto de Angra dos Reis, o que acabou isolando-a de vez do fervor econômico do início do período republicano. 

 

No início de século XX, houve uma retomada no crescimento econômico com a cultura da banana, a construção da ferrovia que ligava Angra à estrada ferroviária principal, que proporcionou o incremento da atividade portuária, principalmente grãos e no transporte de bobinas de aço para a CSN, Companhia Siderúrgica Nacional. 

  

 
A construção do Estaleiro Verolme, na década de 50 e a instalação de um terminal de desembarque pela Petrobrás, impulsionaram a atividade operaria na região e mantiveram a economia da cidade por décadas. Nos anos 70 com o programa nuclear brasileiro, Angra foi escolhida como berço das 8 usinas do projeto inicial.  Foram construídas até hoje apenas duas, Angra I e Angra II, que funcionam regularmente sem acidentes, pelo menos até aqui.  Eram promessa de crescimento econômico, mas movimentaram muito pouco a economia da cidade, com vilas independentes e recursos e receitas federais. 
Já foram grande polêmica, hoje operam sem muitos protestos, mas com muitos olhos atentos.  Angra também abrigava o Instituto Penal Cândido Mendes, construído na Ilha Grande (praia de Dois Rios), que, boa parte por causa dessa aberração, ficou deserta e poupada do crescimento da atividade turística por muitos anos, até que foi extinto em 1992.  

Com a inauguração da Estrada Rio-Santos, a atividade turística virou grande potencial.  As novelas globais germinaram a Angra glamurosa com suas residências maravilhosas dos VIP´s e colunáveis nacionais e internacionais.  

Na década de 90, com o fechamento do Estaleiro holandês Verolme, a perda da importância do terminal petrolífero devido ao pólo petroquímico de Itaguaí, o crescimento descontrolado da atividade pesqueira, Angra se voltou para o turismo e ainda hoje aprende a domar a atividade.   

Neste início de século tem visto a volta dos investimentos na indústria pesada, com a reativação do Estaleiro.

 



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